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domingo, 28 de dezembro de 2014

Epitélio ou metal?

Aprendi demais com a decepção.
Agora ta na hora
De aprender com a vitória
Sei, não dependo só de mim
Quem me dera fosse assim

Pode ser até bom sonhar
Mas na hora de acordar
A realidade bate a porta
Só pra te dizer
É hora de trabalhar pra sobreviver

O sofrimento pede passagem
E o dia continua
Caminhando pela rua
Em uma linha reta sem fim

Como se em um único instante
Sobrasse só o inesquecível
O coração para de bater
E as veias são alimentadas de óleo diesel

Eu tenho mesmo que despertar?
Deste sonho tranquilo?
Eu tenho mesmo que acordar
E viver mais um dia infinito

O curto sonho teve fim
Agora é só realidade
Acordar e sentir o martírio
De quem sente e não esquece
Das marcas das feridas
Que ficam gravadas na pele
E não há como retirar

Epitélio, pele, carapaça ou metal
Não sei se sou feito de aço
Se sou homem, inseto ou animal
Só sei que ainda estou vivo
Como um objeto mecânico
Que é inventado e produz

E quando perde a vida útil
É jogado no lixo
Como um objeto obsoleto
Ultrapassado e julgado
Pelos seus próprios erros!

Cartas ao opressor

Mais um dia, bom dia opressores,
Que os chicoteiam todas as noites
Sem piedade preparam os açoites
Para ferir os coitados
No pelourinho só se ouvem os gritos
Pedidos de perdão pelo que não fez

O que é não ter dinheiro?
O que é viver de forma deplorável?
Qual a solução de viver em vão?
Será que tem jeito?
Por na cabeça dos burgueses
Que o medo está impresso
Em objetos de metais e pedaços de papel...

Os fortes escravizam quem não tem vez
E os exploram de foma banal
Será que tem jeito?
Quando as notas de cem
Começam a chover
O mundo castiga quem não as tem

E para os bem nascidos
Que nunca passaram fome,
O seu semelhante sofre
Enquanto você desperdiça o que come

Mas não chore, não implore
Levante a cabeça
A verdadeira riqueza está dentro de você
A verdadeira nobreza está dentro de você
O mais belo é ser,
Muito mais importante do que ser.

Dois lados da mesma moeda

Povo pobre massacrado,
Cultura e costumes deturpados
Pelos ditos superiores
Não reconhecem as origens
E vivem de falsas esperanças.

Dois lados da mesma moeda
As feridas e as vertigens
Causadas pelas mentiras secretas
Andam lado a lado
Em um sincronismo de danças

Praticando outros rituais
Chamam por Deus
Por não ter a quem chamar
E morrem sem saber que o jamais!
Um dia pode acontecer!

Onde está você,
Pregando nos ônibus,
Pregando na rua
E ninguém te vê...

Onde está você,
Ninguém te ouve,
Ninguém te entende,
São sobreviventes de uma fome
Que mata tanta gente

As palavras ferem a alma
Mais nunca tocam o coração
Os sonhos alimentam o corpo
De quem vive em vão!
Por que não me dá um pedaço de pão
Preferem me dar uma bíblia

Você pode até mudar
Pode tentar se adaptar
Mas não esqueça
De onde você veio
Quem você é
Não deixem maquiarem a tua fé

Em nome de Deus você acha
Que pode mudar
Em nome de Deus você acha
Que pode vingar
Mas os outros pregam a dor
Em cada palavra enunciada,
E se esquecem de que quem prega o amor
Não pode machucar
Não te deixa sentir dor

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Amigos? Pra quê?

As pessoas não gostam de você
Elas gostam de como você está
Somente em um breve momento
Em que se faz presente

Ninguém gosta de você
Eles gostam apenas do que você tem
Eles acham que o merecem
E depois o descartam
Como sempre fazem

Eles gostam de um sorriso seu
Ou do seu dinheiro
Ou da cerveja que ficou de pagar
Ou do cigarro que os oferecem

E você tem medo
Do medo da solidão propagar
Como luz negra em seu coração
Que revelam as partículas
De um acidente biológico
Que foi você estar aqui
No meio de todos os nós
Sem nenhum propósito

E depois vão embora
Quando o dinheiro acabar
A bebida secar, e o cigarro apagar.

Dedeco Lima.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O café

O café nos deixou ligado
As energias estão no ar
Nossa vida é um inferno
E eu cansei de esperar


Meus olhos estavam caindo
Como o muro de Berlim
O café me despertou
Dessa vontade de dormir


Para este país só uma solução
Ir as ruas protestar
Destruir, anarquizar
E resolver os problemas da nação


O meu pais está ferido
Com uma flecha no coração
O povo estava mudo,
A imprensa nos calava
Diante de tanto absurdo


Há tanta corrupção
Espalhada pelo mundo
O nosso congresso está sujo
O nosso chão está imundo
Onde estão os faxineiros
Desse chiqueiro sem tamanho!

Iracema

Meu luto se estende
E o tempo não ameniza a dor
Ninguém me entende...
Quando alguém fala seu nome
Minha alma sente...

E lamenta por cada pontada
Que atravessa o corpo
Como uma lança envenenada
Que debilita meu organismo
Até reduzi-lo a pó...

E é essa a vontade que eu sinto
Quando olho para o lado da cama
E me vejo só!

Em uma noite vazia
O único som que se ouvia
Era o grito de desespero
Entoado pelo medo
De não ter a quem tanto amo!

Destino

Um dia o amor encontrou a paixão
E os dois andaram de mãos dadas
Pela escuridão das noites em vão
E não há mais nada no coração
Além de amor e de você,
Que preenche este vazio

Se um dia eu pudesse crer
Se um dia eu pudesse ver
Tudo aquilo que eu vivia
Eu pensaria em mudar o destino
Só pra te encontrar mais cedo

Sim, talvez eu sinta medo de me apaixonar
Sim, talvez os seus segredos possam me bloquear
Ou talvez o meu medo de temer
Me faça ainda mais amar você
Como nunca amei ninguém